Nesta semana aconteceu o Seminário Virtual para Educadores e a educadora Carla Tocchet foi uma das convidadas, abordando o tema “práticas de leitura em em contexto remoto”.

A temática tem tudo a ver com o momento que estamos vivenciando: por conta da pandemia causada pelo Coronavírus, professores e alunos tiveram que se adaptar e trabalhar com novas ferramentas, principalmente as digitais. Ainda que haja um retorno às aulas, os decretos governamentais que permitem o retorno presencial às escolas indicam que, pelo menos em um primeiro momento, esse retorno será gradual, ou seja, os alunos não irão voltar todos ao mesmo tempo. Portanto, questões como a falta de acesso à internet, como discutir e engajar os alunos mesmo à distância são importantes e devem ser consideradas por um bom tempo.

Diante disso, como ponto de partida para aplicar essas novas práticas, a educadora afirma que é preciso lembrar sempre que leitura, antes de mais nada, é uma prática social. “No ensino, é preciso que a escola preserve o sentido que a leitura tem como prática social para possibilitar que os estudantes se apropriem dela, atuando como leitores ao participarem das diversas situações de leitura”, diz. 

Entre os exemplos que Carla nos trouxe e que podem ser aplicados, uma atividade bastante indicada é a leitura de textos literários pelo professor, que pode ser gravada em áudio ou filmada e compartilhada com os estudantes através do WhatsApp, apontado como uma das ferramentas mais democráticas, que permite a interação entre alunos e professores. “A escolha das obras que serão lidas devem considerar critérios em relação à qualidade literária, à ampliação do repertório dos alunos, ao grau de complexidade do texto”.

Assim, após a leitura, o professor pode abrir espaços de interação para que os estudantes comentem sobre os livros lidos, sobre os sentidos construídos a partir da leitura do texto, através do grupo de WhatsApp da turma ou realizar um encontro/reunião on-line. “Outra possibilidade é organizar uma proposta de pesquisa/estudo sobre um determinado tema para ser compartilhado com interlocutores e em um espaço de circulação previamente definido”. Afinal, a educadora afirma que é muito importante ter esses espaços de troca pois não faz sentido propor situações de leitura em que o único objetivo é aprender a ler. 

Sobre a falta de acesso aos livros, a educadora indica que a escola encontre caminhos para que os alunos tenham acesso a esses materiais, podendo emprestar livros, jornais e revistas para que os alunos possam continuar lendo em casa. Esse exemplo combinar com o que foi feito na EEM Alice Moreira de Oliveira. Ana Maria Feijó Saboia, diretora, conta que os alunos puderam levar para casa alguns livros emprestados e assim manter a leitura. “Todos os alunos do 6º ao 9º ano fizeram o empréstimo de livros paradidáticos para que os professores pudessem explorar e fazer trabalhos em cima desses livros que foram emprestados”, conta.

Segundo Carla, essas são algumas possibilidades de encaminhamento do trabalho com leitura e são experiências que vêm sendo realizadas em diferentes escolas/redes. “Além disso, no trabalho em contexto remoto, é preciso considerar a manutenção e o fortalecimento dos vínculos dos alunos e de suas famílias com a escola, que por meio dessas propostas, se faz presente pelo afeto e pela interação”. 

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