Em agosto aconteceu o Seminário Virtual para Educadores e a bibliotecária Laiana Sousa foi a primeira convidada, falando sobre mediação da leitura literária e dinamização do acervo da Biblioteca Escolar. O tema se faz muito importante por diversos motivos, principalmente por ainda nós, enquanto sociedade, não termos e dimensão da importância desse espaço dentro da escola e para a comunidade. Aqui fazemos um resumo das principais discussões e dicas sobre o assunto.

Laiana indica que primeiro é preciso amor ao falar da biblioteca escolar, para que assim ela passe a ser mais humanizada, pois muitas vezes ela vem acompanhada de um aspecto difícil que a leitura tem para alguns alunos. “Na pesquisa Retratos de Leitura de 2015, as crianças que estavam se iniciando como leitoras indicaram esse fato da demora para a aprender a ler, de ser demorado o processo da leitura, de ser pouco instigante. Então precisamos pensar esse espaço da biblioteca como algo democrático, e quando eu falo democrático não é só expor os livros e sim nas estratégias de como chamar a atenção desse leitor”.

Outro aspecto que deve ser levado em consideração antes da prática é a reflexão sobre qual papel uma Biblioteca ocupa em uma escola. “Precisamos aos poucos ir mudando, esquecer que a biblioteca é espaço de castigo, de receber uma criança que tá doente ou chegou atrasada. É uma relação que já começa ruim. Qual é a criança que vai querer ir para a biblioteca depois de lembrar que foi pra lá porque estava doente? Essa mudança tem que partir de nós, temos que contar com a gestão para lembrar que a biblioteca está ali para promover ações”.

Para isso, um outro ponto importante é entender que esse espaço exige uma equipe interdisciplinar. Laiana enfatiza que o protagonista desse processo é o bibliotecário, mas que precisamos pensar também no professor de maneira colaborativa, assim como no auxiliar de biblioteca. “Qual o papel dessas pessoas? Um professor forma o leitor na estadia dele na escola e o bibliotecário trabalha na promoção da leitura”. 

Partindo para a prática, a bibliotecária indica que uma boa promoção da leitura não engloba apenas a disponibilização das obras, mas é preciso trabalhar a perspectiva pedagógica de aliar o currículo escolar às ações da biblioteca. É importante ainda trabalhar com o aluno de forma integrada. “Eu gosto muito de chamar essa interação com o aluno de amigos da biblioteca, um grupo de pessoas que se envolve com as ações da biblioteca. Vamos formar uma equipe de pessoas que atue nesses espaços e quem sabe criar redes sociais, blogs, webinar, podcasts, aproximando essas tecnologias do espaço escolar. Devemos pensar nessa aproximação do digital que tivemos durante a pandemia e perpetuá-la”.

Ainda na prática, outro ponto importante é que devemos conhecer os leitores para pensar em estratégias de como ofertar a leitura, pois não adianta muito ter obras maravilhosas em uma biblioteca se essa informação não estiver organizada. “Devemos entender que em uma escola existem vários níveis de leitores, e eu posso categorizar isso de diversas maneiras. Mas eu gosto muito de ter a dimensão ampla de que tenho um leitor inicial, um leitor fluente e um leitor em processo, que também podemos de chamar de leitor crítico, e essas denominações nos ajudam a organizar a biblioteca de modo que ela fique acessível a todo tipo de usuário. Quando eu organizo a biblioteca de modo que ela esteja mais próxima do meu leitor, isso tende a facilitar e aproximar”.

Por fim, Laiana diz: “Uma dica que eu deixo sempre é essa de atuar mais próximo da criança e fazer com que ela se sinta com um ponto de destaque. Você tem que encontrar algum artifício de mediação que te deixe mais próximo do aluno como clubes de leitura, feiras literárias, ações simultâneas, como gincanas, para envolver toda a comunidade escolar”, completa.

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