As tirinhas são um importante instrumento de ensino e aprendizagem, e isso nós sabemos bem? Mas será que nós entendemos porque elas são tão importantes? Nas últimas semanas o Ventos do Saber promoveu oficinas de tirinhas com os alunos das escolas beneficiadas em 2020. As oficinas foram ministradas pelo professor e artista visual Lui Duarte. Para entender mais sobre esse gênero e saber como ele pode ser desenvolvido e utilizado em sala de aula, fizemos uma entrevista com Lui. Confira logo abaixo!

-Sabemos que as tirinhas são bastante utilizadas como instrumento de aprendizado. Quais elementos tornam esse gênero tão especial, ao seu ver?

As tirinhas têm como característica a concisão. Uma mensagem curta e potente. Além disso, regularmente a tirinha buscar atrair o leitor apresentando um tema, desenvolvendo e ao final traz uma reversão de expectativa. Esse mecanismo cria um envolvimento simpático a esse tipo de linguagem. Pois quem lê gosta de ser surpreendido ao término da leitura rápida, esse sentimento ajuda a reter a informação. O “clic” que o nosso cérebro dá quando entendemos o significado de algo que, por vezes, não estava tão óbvio. Então se o próprio aluno é quem produz a tirinha seguindo o roteiro de apresentar, desenvolver e finalizar quebrando a expectativa… certamente a compreensão do aluno já se instaurou no fazer. Se a tirinha já vem pronta, proposta pelo educador/facilitador, temos a imagem pra quebrar o gelo em assuntos áridos (algumas vezes), trazendo elementos visuais que vão somar a um texto enxuto. Desta forma creio que o aproveitamento em sala de aula pode se dar nessas vias.

-Você acha que elas podem incentivar a leitura nos alunos?

Como coloquei na resposta anterior, acredito que sim. Por trazer assuntos tratados de maneira leve e bem humorada, a informação principal pode ser mais palatável. E assim motivar ao leitor a buscar mais sobre determinado assunto, pois quem mediar essas tirinhas pode apontar ganchos para aprofundar questões. Ao meu ver a tirinha pode deflagrar o interesse em discutir qualquer tema e de forma mais atraente.

-Qual os passos essenciais para que os alunos possam produzir suas próprias tirinhas?

O principal é entender sobre a lógica de apresentar, desenvolver e trazer um final envolvente. Que pode ter a clássica conclusão surpreendente (revertendo a expectativa) ou seguir num crescente de informações o raciocínio desenvolvido nas etapas. Isso posto, deve-se exercitar resumir o que se quer falar por palavras e equilibrar com o uso da imagem (desenho), para não ser redundante escrevendo exatamente o que é desenhado. E se optar por tirinhas sem palavras há de investir no desenho, pois a interpretação dependerá muito de como se ordena no tempo e espaço os elementos gráficos. Isso não quer dizer desenhos super elaborados, pois há muitos exemplos de “bonecos de palitinhos” que passam de forma efetiva as mensagens nas tirinhas. Como tudo na vida, treino.

-Que dica pode dar aos professores na hora de fazer uma curadoria de tirinhas a serem trabalhadas em sala?

Tirinhas rápidas com pouco texto atraem mais. Por outro lado, pode-se ter deixas em tirinhas com uma elaboração maior no que está dito e assim também criar abertura para o entendimento em sala de aula. Os assuntos nas tirinhas podem ser os mais diversos. Meu pensamento é que trazer personagens inusitados traga uma atenção ao assunto, assim como situações incomuns. Aliás, o equilíbrio de “lugares” conhecidos e novos “horizontes” são a boa medida para uma tirinha atraente. Pra nossa felicidade há um infindável número de artistas e tirinhas de maestria para vários temas. Quem não é familiarizado com a linguagem pode recorrer ao Google, procurar pelas “melhores tirinhas” e aí vai do interesse de cada um, buscando a atender a disciplina ministrada. Cartunistas que produziram tirinhas por muitos anos já devem ter falado de tudo um pouco, por isso a Mafalda do Quino é tão usada. Que tal Calvin e Haroldo do Bill Watterson? Níquel Náusea do Fernando Gonsales, as tirinhas da Laerte… bom, eu poderia passar o dia citando autores. Algum servirá ao propósito em sala de aula, divirta-se procurando! (ah, tem um livro teórico do Paulo Ramos sobre Tirinhas e vários outros sobre o uso dos Quadrinhos em sala de aula, um dos autores é o Waldomiro Vergueiro)

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