No dia 12 de Outubro é comemorado o Dia das Crianças. Um dia para celebrar essa fase tão querida, que deve ser aproveitada com muita alegria. Mas você sabia que nessa data também é comemorado o Dia Nacional da Leitura?

É na infância que construímos muito dos hábitos que levamos para a vida adulta, e um deles é a leitura. Quanto mais cedo uma criança é incentivada à prática da leitura, mais benefícios ela vai ter como: aumento do vocabulário, formação do senso crítico e, claro, estímulo à criatividade.

Por isso, o hábito deve ser cultivado logo cedo. Mas, para isso, a crianças deve desenvolver uma relação positiva com os livros.

Portanto, torne o momento da leitura prazeroso. É comum que pais e até professores façam da leitura uma espécie de castigo. Quem nunca ouviu, quando criança, depois de fazer alguma bobeira na sala de aula, que deveria ir para biblioteca como forma de punição?

Isso desenvolve uma certa repulsa ao momento da leitura. Portanto, em casa, os pais devem estimular a leitura, principalmente vinculando esse momento a um lazer em família. Que tal combinar um passeio no parque e levar alguns livros? Para que os pequenos associem o hábito de forma mais rápida, ele deve lembrar momentos bons e felizes.

Na escola, a leitura não deve ser vista como uma atividade punitiva ou sem graça. Que tal desenvolver clubes de leitura, discutir temas atuais a partir dos livros, separar alguns minutos no final da aula para uma leitura livre de obrigações…?

É importante também, para pais e professores, escolher leituras que se adequem à cada idade. Cada fase tem suas limitações e elas devem ser respeitadas. Assim como os interesses. Tente sempre escolher e indicar livros que despertem a curiosidade nos pequenos. Além disso, varie os gêneros: assim a criança pode escolher por si o que mais lhe interessa.

Quando se fala em trabalhar o nordeste na literatura em sala de aula, logo pensamos na literatura de cordel. O gênero, que ficou consagrado nos poemas de Patativa do Assaré, é uma tradição literária típica da região e impressiona tanto pelos versos quanto pelas xilogravuras, tão características dessas obras.

Porém, mesmo com toda a sua relevância, podemos pensar em outros modos, e autores, para apresentar aos alunos quando formos falar da região. Listamos aqui alguns autores que falam do Nordeste em suas mais diferentes nuances e que são leituras essenciais. 

Jorge Amado

O escritor baiano é um dos nomes mais famosos da segunda geração do modernismo brasileiro. Com linguagem simples e regionalista, ele retrata bem os costumes, principalmente das classes 

Jorge Amado possui cerca de 45 obras publicadas, muitas delas premiadas e adaptadas para o cinema e a televisão, como Gabriela, Cravo e Canela, que se passa no interior da Bahia. Outro destaque é o livro Capitães de Areia, que conta a história de Pedro Bala, líder de um grupo de meninos marginalizados que aterrorizam a cidade de Salvador. 

Rachel de Queiroz

A cearense Rachel de Queiroz foi a primeira mulher a fazer parte da Academia Brasileira de Letras. Seu primeiro romance, “O Quinze”, é uma das obras mais importantes da literatura brasileira e retrata a grande seca de 1915 e a realidade dos retirantes nordestinos.

Memorial de Maria Moura é outra obra de destaque da autora, que inclusive já foi adaptada para a televisão. Conta a história de uma cangaceira que luta contra injustiças sociais.

José Lins do Rego

O autor paraibano é um dos principais nomes se você quiser entender um pouco sobre a formação do Nordeste brasileiro. Em seu livro Menino de Engenho, ele acompanha toda as fase do protagonista que vive em uma fazenda que se dedica à produção de açúcar. 

Já Fogo Morto, que é considerado por muitos a sua obra prima, narra o fim do ciclo da cana de açúcar e as consequências para a sociedade da época.

Clarice Lispector

A autora, que nasceu na Ucrânia, veio ainda bebê para o Brasil, vivendo boa parte da vida em Maceió, Recife e Rio de Janeiro. E foi por morar em cidades do Nordeste que colocamos a autora na lista, pois das características de suas obras é que Clarice ambienta as histórias em cidades onde viveu.

Um exemplo é o conto Felicidade Clandestina, que conta  história de uma menina recifense muito apaixonada por livros. Já em A Hora da Estrela, um dos seus livros mais famosos, apesar de ser ambientado no Rio de Janeiro, narra a história de Macabéa, uma migrante nordestina e nos mostra um pouco da vivência de tantos nordestinas que vão para o sul em busca de melhores oportunidades. 

Imagine a cena: Você está cansado ou estressado por ter tido um dia ruim. Chega em casa e pega aquele livro que já leu e releu mil vezes para tentar esquecer um pouco os problemas e, no fim, funcionou. Nesse caso, você experimentou o poder que uma boa leitura tem de transformar os sentimentos e pensamentos.

É a partir desse “poder” que acontece a biblioterapia. Ela pode ser definida como uma atividade interdisciplinar onde a terapia acontece através do texto. A biblioterapia, termo que começou a ser empregado a partir do século XX por Samuel Crothers, no artigo intitulado “Literacy Clinic”, foi inicialmente recomendada para pessoas com transtornos como depressão e fobias, mas hoje ela pode ser aplicada para diferentes tratamentos e em diversas faixas etárias, em grupos ou individualmente.

A Biblioterapia tem como objetivo a reflexão para o crescimento emocional e pode se desenvolver através da identificação com os personagens do texto que está sendo lido, por exemplo. Isso porque a leitura desperta em nós, leitores, o senso crítico, a capacidade de reflexão e nos leva a outras formas de ver o mundo.

É importante lembrar que, assim como a leitura permite diferentes interpretações de pessoa para pessoa, na Biblioterapia não será diferente, cada um irá reagir de uma forma ao propósito terapêutico.

Ao se submeter à biblioterapia, o paciente passa por alguns estágios: ele se envolve com a história ou algum personagem da história, se identifica com o que é apresentado no livro, reconhece as adversidades pelas quais aqueles personagens passam e, quando observa que na ficção aqueles problemas podem ser resolvidos, pode querer aplicar o que aconteceu durante a história em sua própria vida, realizando um paralelo entre ficção e realidade.

A Biblioterapia pode ser uma grande aliada na luta contra a depressão que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), atinge mais de 350 milhões de pessoas no mundo, e pode ser aplicada por profissionais como bibliotecários, psicólogos, profissionais da área da educação

Para pôr em prática a Biblioterapia, é preciso se informar bastante. Você pode começar lendo livros sobre biblioterapia como Biblioterapia, de Ana Lídia Sobrinho Rudakoff, Biblioterapia: um cuidado com o ser, de Clarice Fortkamp Caldin; e A literatura como remédio, de Dante Gallian. Pode ainda acompanhar o trabalho de biblioterapeutas e fazer cursos sobre biblioterapia.

Em agosto aconteceu o Seminário Virtual para Educadores e a bibliotecária Laiana Sousa foi a primeira convidada, falando sobre mediação da leitura literária e dinamização do acervo da Biblioteca Escolar. O tema se faz muito importante por diversos motivos, principalmente por ainda nós, enquanto sociedade, não termos e dimensão da importância desse espaço dentro da escola e para a comunidade. Aqui fazemos um resumo das principais discussões e dicas sobre o assunto.

Laiana indica que primeiro é preciso amor ao falar da biblioteca escolar, para que assim ela passe a ser mais humanizada, pois muitas vezes ela vem acompanhada de um aspecto difícil que a leitura tem para alguns alunos. “Na pesquisa Retratos de Leitura de 2015, as crianças que estavam se iniciando como leitoras indicaram esse fato da demora para a aprender a ler, de ser demorado o processo da leitura, de ser pouco instigante. Então precisamos pensar esse espaço da biblioteca como algo democrático, e quando eu falo democrático não é só expor os livros e sim nas estratégias de como chamar a atenção desse leitor”.

Outro aspecto que deve ser levado em consideração antes da prática é a reflexão sobre qual papel uma Biblioteca ocupa em uma escola. “Precisamos aos poucos ir mudando, esquecer que a biblioteca é espaço de castigo, de receber uma criança que tá doente ou chegou atrasada. É uma relação que já começa ruim. Qual é a criança que vai querer ir para a biblioteca depois de lembrar que foi pra lá porque estava doente? Essa mudança tem que partir de nós, temos que contar com a gestão para lembrar que a biblioteca está ali para promover ações”.

Para isso, um outro ponto importante é entender que esse espaço exige uma equipe interdisciplinar. Laiana enfatiza que o protagonista desse processo é o bibliotecário, mas que precisamos pensar também no professor de maneira colaborativa, assim como no auxiliar de biblioteca. “Qual o papel dessas pessoas? Um professor forma o leitor na estadia dele na escola e o bibliotecário trabalha na promoção da leitura”. 

Partindo para a prática, a bibliotecária indica que uma boa promoção da leitura não engloba apenas a disponibilização das obras, mas é preciso trabalhar a perspectiva pedagógica de aliar o currículo escolar às ações da biblioteca. É importante ainda trabalhar com o aluno de forma integrada. “Eu gosto muito de chamar essa interação com o aluno de amigos da biblioteca, um grupo de pessoas que se envolve com as ações da biblioteca. Vamos formar uma equipe de pessoas que atue nesses espaços e quem sabe criar redes sociais, blogs, webinar, podcasts, aproximando essas tecnologias do espaço escolar. Devemos pensar nessa aproximação do digital que tivemos durante a pandemia e perpetuá-la”.

Ainda na prática, outro ponto importante é que devemos conhecer os leitores para pensar em estratégias de como ofertar a leitura, pois não adianta muito ter obras maravilhosas em uma biblioteca se essa informação não estiver organizada. “Devemos entender que em uma escola existem vários níveis de leitores, e eu posso categorizar isso de diversas maneiras. Mas eu gosto muito de ter a dimensão ampla de que tenho um leitor inicial, um leitor fluente e um leitor em processo, que também podemos de chamar de leitor crítico, e essas denominações nos ajudam a organizar a biblioteca de modo que ela fique acessível a todo tipo de usuário. Quando eu organizo a biblioteca de modo que ela esteja mais próxima do meu leitor, isso tende a facilitar e aproximar”.

Por fim, Laiana diz: “Uma dica que eu deixo sempre é essa de atuar mais próximo da criança e fazer com que ela se sinta com um ponto de destaque. Você tem que encontrar algum artifício de mediação que te deixe mais próximo do aluno como clubes de leitura, feiras literárias, ações simultâneas, como gincanas, para envolver toda a comunidade escolar”, completa.

A Prefeitura Municipal de Caucaia, por meio da sua Secretaria de Educação Ciência e Tecnologia, lançou o Projeto Biblioteca na Escola Viva, um espaço interativo onde serão compartilhados materiais de apoio e aprendizagem para os alunos da rede de ensino do Município.

Em março, as aulas foram suspensas devido à pandemia do Coronavírus. Desde então, professores tiveram que inovar em suas práticas pedagógicas a fim de que os alunos não perdessem a rotina de estudos durante o período de isolamento social. Para potencializar tais práticas, o projeto desenvolveu atividades como contações de histórias e clubes de leitura para os meses de agosto a dezembro, com o objetivo de estimular nos alunos o gosto pela leitura.

O projeto foi criado e desenvolvido pela equipe pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia/Caucaia-CE e conta com acervos em vídeo, de diversas fontes, para que possam enriquecer ainda mais o aprendizado da leitura. Esse espaço conta ainda com atividades, espaço da família, espaço do professor e a biblioteca virtual.

Para acessar, basta clicar no link: http://bibliotecanaescolaviva.smecaucaia.com.br/

Nesta semana aconteceu o Seminário Virtual para Educadores e a educadora Carla Tocchet foi uma das convidadas, abordando o tema “práticas de leitura em em contexto remoto”.

A temática tem tudo a ver com o momento que estamos vivenciando: por conta da pandemia causada pelo Coronavírus, professores e alunos tiveram que se adaptar e trabalhar com novas ferramentas, principalmente as digitais. Ainda que haja um retorno às aulas, os decretos governamentais que permitem o retorno presencial às escolas indicam que, pelo menos em um primeiro momento, esse retorno será gradual, ou seja, os alunos não irão voltar todos ao mesmo tempo. Portanto, questões como a falta de acesso à internet, como discutir e engajar os alunos mesmo à distância são importantes e devem ser consideradas por um bom tempo.

Diante disso, como ponto de partida para aplicar essas novas práticas, a educadora afirma que é preciso lembrar sempre que leitura, antes de mais nada, é uma prática social. “No ensino, é preciso que a escola preserve o sentido que a leitura tem como prática social para possibilitar que os estudantes se apropriem dela, atuando como leitores ao participarem das diversas situações de leitura”, diz. 

Entre os exemplos que Carla nos trouxe e que podem ser aplicados, uma atividade bastante indicada é a leitura de textos literários pelo professor, que pode ser gravada em áudio ou filmada e compartilhada com os estudantes através do WhatsApp, apontado como uma das ferramentas mais democráticas, que permite a interação entre alunos e professores. “A escolha das obras que serão lidas devem considerar critérios em relação à qualidade literária, à ampliação do repertório dos alunos, ao grau de complexidade do texto”.

Assim, após a leitura, o professor pode abrir espaços de interação para que os estudantes comentem sobre os livros lidos, sobre os sentidos construídos a partir da leitura do texto, através do grupo de WhatsApp da turma ou realizar um encontro/reunião on-line. “Outra possibilidade é organizar uma proposta de pesquisa/estudo sobre um determinado tema para ser compartilhado com interlocutores e em um espaço de circulação previamente definido”. Afinal, a educadora afirma que é muito importante ter esses espaços de troca pois não faz sentido propor situações de leitura em que o único objetivo é aprender a ler. 

Sobre a falta de acesso aos livros, a educadora indica que a escola encontre caminhos para que os alunos tenham acesso a esses materiais, podendo emprestar livros, jornais e revistas para que os alunos possam continuar lendo em casa. Esse exemplo combinar com o que foi feito na EEM Alice Moreira de Oliveira. Ana Maria Feijó Saboia, diretora, conta que os alunos puderam levar para casa alguns livros emprestados e assim manter a leitura. “Todos os alunos do 6º ao 9º ano fizeram o empréstimo de livros paradidáticos para que os professores pudessem explorar e fazer trabalhos em cima desses livros que foram emprestados”, conta.

Segundo Carla, essas são algumas possibilidades de encaminhamento do trabalho com leitura e são experiências que vêm sendo realizadas em diferentes escolas/redes. “Além disso, no trabalho em contexto remoto, é preciso considerar a manutenção e o fortalecimento dos vínculos dos alunos e de suas famílias com a escola, que por meio dessas propostas, se faz presente pelo afeto e pela interação”. 

Em 2019, aconteceu a primeira edição do Ventos do Saber. Quatro escolas de Caucaia, município da região metropolitana de Fortaleza, foram contempladas e receberam novos ares de conhecimento. Quase um ano depois, as ações do projeto ainda colhem frutos através dos alunos, professores e comunidade.

Alexandre Ferreira da Costa, diretor da EEIEF Luiz Rocha Mota conta que através do projeto houve um grande avanço no interesse pela leitura por parte dos alunos. “Todos os alunos ficaram maravilhados, passaram a dar um valor maior naquilo que é mais importante em uma escola: a aprendizagem. O espaço também passou a ser utilizado de outras formas por conta da lousa digital, das televisões, dos computadores; tudo isso melhorou bastante a nossa função enquanto educadores”.

A professora Alexsandra Ferreira, responsável por coordenar as ações no espaço, relata que alunos agora vão à biblioteca com o intuito de ler, aprender e tirar dúvidas. “Para mim é uma satisfação estar nesse projeto, fazer parte dele. É uma semente que foi plantada e todos os dias temos que regar para dar bons frutos”.

A Escola Indígena Aba Tapeba também recebeu o Ventos do Saber em 2019. Segundo a diretora Rejane Coelho, o projeto veio para engrandecer o desenvolvimento dos alunos e automaticamente renovar os métodos de aprendizagem e descobertas. “Nossos alunos ficaram maravilhados com as formações realizadas”. Elenilda Lima, que representa a liderança indígena da escola, reforça que a biblioteca incrementou os projetos pedagógicos. “Deu condições para que os professores façam uso coletivo da leitura e escrita com nossos alunos”, completa.

Algumas escolas atendidas pelo projeto nem tinham uma biblioteca para chamar de sua. É o caso da EEIEF Saul Gomes de Matos. A diretora Márcia Andrade conta que com o novo espaço, os alunos têm valorizado mais o ambiente escolar. “Os professores têm um apoio maior, com um amplo acervo, uma sala climatizada, e isso tem feito a diferença não só para os alunos, mas também para a comunidade pois os pais também têm acesso à biblioteca”.

Em 2020, a pandemia de COVID-19, causada pelo Coronavírus, fez com que muitas escolas tivessem que pausar suas atividades para prevenir e minimizar a disseminação da doença. Mas nem essa pausa tirou o brilho das bibliotecas. Ana Maria Feijó Saboia, diretora da EEM Alice Moreira de Oliveira, conta que os alunos puderam levar para casa alguns livros emprestados e assim manter a leitura. “Todos os alunos do 6º ao 9º ano fizeram o empréstimo de livros paradidáticos para que, quando as aulas retornassem, os professores pudessem explorar e fazer trabalhos em cima desses livros que foram emprestados”, conta.

Mais quatro escolas de Caucaia irão receber bibliotecas totalmente reprojetadas através do Ventos do Saber em 2020. São elas:

– Escola Luzia Correia Sales;

– Escola Antônio Dias Macedo;

– Escola Domingos Abreu Brasileiro;

– Escola Plácido Monteiro Gondim.

As entregas acontecem nos dias 12 e 13 de agosto. Os espaços estarão prontos para quando as atividades retornarem nas escolas após o período de isolamento social devido à pandemia de COVID-19.