Revisar o próprio texto antes de publicar, ou até mesmo antes de entregar ao professor, é uma atividade difícil pois requer bastante atenção. Isso porque quando revisamos o nosso próprio texto, parece que os erros se escondem e deixamos passar algumas falhas.

A revisão é um passo importante que devemos trabalhar com os alunos em sala, assim podemos aprimorar a escrita e até a leitura. Hoje separamos algumas dicas para tornar esse processo mais fácil.

1.Após escrever, espere algum tempo até ler o que foi escrito. Sua mente precisa descansar e seu texto também. O ideal seria uma noite tranquila de sono até você reler o que foi escrito, mas em caso de avaliações, como uma prova que exige uma redação, você pode resolver algumas questões de uma disciplina mais afim e voltar para ler o seu texto.

2.Leia em voz alta. Dessa maneira você perceberá melhor os erros de digitação, vícios de linguagem, sentenças longas ou erros de pontuação entre outros aspectos que possam atrapalhar a leitura fluida. Lembrando que na hora de uma avaliação, esse passo pode ficar comprometido, então você pode optar por fazer primeiro uma leitura dinâmica. Observe a divisão do seu texto e se os parágrafos se conectam, e em seguida se atente aos detalhes.

3.Leia o texto como se fosse o seu leitor final. Vai parecer difícil desapegar do que foi escrito por você, mas pense que o objetivo e explanar suas ideias de modo que o leitor final entenda. Veja se há termos que deveriam ser melhor explicados ou informações divergentes.

No dia 12 de Março é comemorado o Dia do Bibliotecário. A data foi instituída em 1980 e lembra o dia do nascimento do bibliotecário, escritor e poeta Manuel Bastos Tigre, considerado o primeiro bibliotecário concursado do Brasil. Dentre as diversas funções de um bibliotecário, como organizar, catalogar e categorizar documentos, está ainda o incentivo à leitura, portanto esse é um profissional essencial para a educação.

Hoje, trazemos uma pequena entrevista com Laiana Sousa, que é bibliotecária, doutoranda em Ciência da Informação e consultora do Ventos do Saber.

Como você decidiu sem bibliotecária?

Bem, naquela época de escolha no vestibular eu já tinha as minhas preferências. E essas preferências giravam muito em torno das específicas que a gente falava na época, quais disciplinas que você mais se identificava. Então as minhas escolhas eram pautadas nessa primeira ideia e as humanas sempre foram meu ponto principal. Durante uma feira das profissões, uma pessoa veio falar sobre Biblioteconomia, que era a Fernanda (bibliotecária) e a partir da fala dela me acendeu uma luz. Pensei ‘Nossa, que interessante, envolve leitura, educação, uma série de coisas que eu posso me identificar’. Eu já tinha um elo muito forte com educação, com a pedagogia, eram as minhas primeiras opções, mas quando conheci a biblioteconomia eu decidi arriscar. Eu gostei muito, me identifiquei logo de cara, no primeiro semestre do curso eu já estava bem integrada à biblioteconomia.

O que considera mais importante na atuação de um bibliotecário?

Dizer é o que mais importante é algo muito, vamos assim dizer, até frágil, porque eu poderia dizer que seria isso, mas na verdade não é porque vai depender muito do contexto, muito do espaço em que aquele bibliotecário está atuando. O que a gente precisa ter em mente é a missão desse curso que, para mim, é trabalhar em formação de diversas maneiras, buscar trabalhar essa informação para disponibilizar ela para a sociedade. Então esse tratamento informacional que a gente chama, que passa por todo um processo de organização, armazenamento e disseminação, falando de uma maneira bem clássica, é o ideal da biblioteconomia. Só que para isso a gente precisa conhecer o contexto, precisa conhecer as necessidades informacionais daquele público que vai ser atendido, por isso que a biblioteconomia tem uma vertente muito social, que traz a responsabilidade social do bibliotecário de compreender a necessidade do seu trabalho para aquela comunidade específica ou ,se pensar no nível mais macro, é contribuir para que o acesso à informação se torne algo menos complexo, menos excludente e que proporcione as pessoas o crescimento como cidadão, como profissional, como pessoas comuns que necessitam conhecer para poder tomar suas decisões, para poder seguir na sua vida. Essa responsabilidade social ela é muito necessária, é muito cara à biblioteconomia dentro desse parâmetro. Então o mais importante no trabalho de bibliotecário é ter consciência desse senso social e saber direcionar da melhor maneira possível, sempre pensando no seu usuário final, sempre pensando de maneira macro.

Que dica daria para quem quer ingressar na profissão?

A biblioteconomia é uma área muito interdisciplinar, então você vai se ver mergulhado em possibilidades de atuação. Você vai ver uma possibilidade que é mais tecnológica, você vai ver uma possibilidade que é mais técnica, mais operacional, você vai ver a possibilidade de trabalhar com comunicação, com liderança, com empreendedorismo, ou você vai ver o lado mas direto da biblioteconomia que é atuar nas bibliotecas, que é algo muito por alto também porque existem diversos tipos de bibliotecas, e aí, dependendo de onde é essa biblioteca, qual é a missão desta biblioteca, qual é o objetivo final dessa biblioteca, vai mudar bastante a atuação desse profissional. Então a minha dica é conhecer o universo, não fechar portas, sempre estar aberto para novidades, buscar ter durante a graduação acesso a todas essas possibilidades de atuação do bibliotecário, porque só aí você vai ter noção de onde você quer atuar. E muito mais do que isso são as experiências. Você vai ter condições de constituir parâmetros para que você avalie se a sua atuação tá realmente atendendo ao que a biblioteconomia espera. Então a dica que eu eu trago para vocês de quem vai estudar e que vai entrar para profissão é inicialmente pensar em abrir espaço para isso, porque só através disso você vai pensar numa atuação profissional, buscando conhecer outras possibilidades de atuação. E aí vem esse processo decisório e que é de identificação também.

O Ventos do Saber realizou as gravações de algumas contações de histórias com convidados bastante especiais, dentre eles Paula Yemanjá, que é atriz e contadora de histórias. Hoje, trazemos uma entrevista com Paula, que explica os caminhos que a levaram a se tornar uma contadora de histórias e como fazer para enveredar por esse caminho.

De onde surgiu seu interesse por ser contadora de histórias?

Eu me tornei contadora de história, eu acho que por influência da minha mãe, que contava muitas histórias a nossa família. Ela é de Minas, então quando a minha mãe, mineira, se casou com meu pai, que é cearense, pouco tempo depois ele decidiu retornar para o Ceará e trouxe minha mãe com ele. Quando a gente era criança, minha mãe brincava de contar histórias dos parentes. Era uma época que não era tão fácil acesso à internet, onde a gente mantém os vínculos de uma forma muito mais rápida, até telefonar era muito caro, não é para fazer todo dia e uma forma que minha mãe encontrou de aproximar a gente desse Estado que estava tão distante era contando as histórias da cidade dela, a gente brincava que eram ‘causos de Patos de Minas’. Então ela contava as histórias dos tios, das tias, contava também da família do meu pai, depois contava causo de terror e foi assim que tive meu primeiro contato com a contação de história. Eu acho que isso foi muito marcante para minha trajetória enquanto artista dessa linguagem.

Explica um pouco sobre como foi o processo até você realmente se tornar uma contadora de histórias…

Depois dessas histórias que ouvia da minha mãe, eu passei pelo processo de letramento e me tornei uma leitora voraz. Eu tive muita dificuldade de aprender a ler, então quando eu conseguir aprender mesmo, eu me joguei em tudo que era livro, comecei a ler muito. Adorava ler Pedro Bandeira, Ana Maria Machado, Monteiro Lobato. Meu pai era uma pessoa que comprava muitos livros lá para casa, tinha de tudo: biografias, jornal…, então um passo importante para minha formação de me tornar contadora de história foi lendo essas narrativas como Câmara Cascudo, contos populares… E aí quando eu já estava iniciando minha trajetória no teatro, durgiu a oportunidade de trabalhar em uma livraria, e eu jovem, querendo ter um pouco de independência para ter minhas coisas, me joguei nessa empreitada de trabalhar nessa livraria contando essas histórias. Contava muitas histórias que eu lia quando criança. Engraçado que hoje, mais de 21 anos depois, continuo contando histórias e aí hoje em dia eu conto também muitas das histórias que a minha mãe me contava, as histórias de Patos de Minas. Então esse processo para eu me tornar uma contadora de história e levou tempo, levou muito tempo mesmo. Eu fui descobrindo, eu vi que não conseguia me identificar profissionalmente como uma contadora de histórias, foi um processo em construção dessa vivência prática, de estar narrando histórias, experimentando, até que finalmente construí uma identidade artística e ai quando me perguntam eu falo que sou contadora de histórias.

Quais dicas você daria para quem quer enveredar por essa área?

Para quem quer se enveredar na contação de história, eu acho que é muito importante assim, nós somos contadores urbanos, narradores artísticos, não estamos inserido dentro de uma comunidade tradicional onde a narração de história entra por um processo de aprendizado natural como por exemplo acontece entre os indígenas ou como acontece dentro de comunidades rurais que vivem mais afastadas, como acontece dentro de alguns povos africanos onde a oralidade mantém uma força muito grande, onde a via do aprendizado ainda se dá pela oralidade. Então quando a gente não é desse espaço, eu acho que a gente tem essa coisa do mergulho na literatura, um mergulho dentro da própria história pessoal, se descobrir nisso, se descobrir nesse ofício e experimentar você. Se permitir descobrir essa narração. Eu acho que você aprendendo contexto a narrar no contexto urbano, aí você se reencontra com o elo de uma outra forma de possibilidade de transmissão de conhecimento que não perpassa pela via da leitura e necessariamente pela via da escrita. Nós somos contadores de história, devemos abrir nossos ouvidos, antes de tudo, para saberes ancestrais, entender essa lógica onde a palavra funda mundos. Uma palavra como um ato de criação mesmo. Então é muito importante ver contadores mais experientes, é muito importante você trocar experiências, mas também é muito importante você se arriscar, jogar, experimentar se a história te toca e te emociona, pensar ‘como é que eu vou contar essa história, que elementos eu vou usar, o que é que eu tenho do meu repertório de corpo, de voz, de experiência que eu vou colocar dentro dessa narrativa para que ela se torne minha’? Hoje em dia existem diversos cursos, então eu recomendo para quem tá iniciando nessa atividade que procure fazer cursos com narradores experientes, pessoas que atuam no campo da narração, que desenvolvem uma pesquisa dentro dessa prática.

Qual você acha que é importância da contração de histórias, principalmente para a educação?

E quanto à educação, muito se fala da contação de história como uma forma de incentivo à leitura. Eu já parto de uma outra forma, eu acho que a narração da história é um convite para você conhecer o universo mítico, universo fantástico, um universo de outras possibilidades de se olhar o mundo e esse convite feito pelo narrador oral para a pessoa, ele pode descambar de diversas formas, ele pode descambar através da leitura, ele pode descambar através do cinema. Você pode descobrir através dessa história que é narrada, você pode viajar para o país da história ou ir no presente, você escuta uma história linda sobre Oxum e você acabar indo para uma festa sobre Oxum. Eu acho que a contação de história mais do que incentiva leitura, é um convite para você descobrir mundos diferentes do seu, além da experiência de você se colocar no local do outro, um exercício de troca de lugar com o e de escuta. Em um tempo onde a gente tem tantas discussões, em que tá sendo tão difícil debater ideias, você se permite escutar o outro, se deixar embalar pela voz do outro, eu acho que são exercícios de generosidade e é uma coisa que a gente precisa aprender para a gente evoluir.

O ano letivo já começou em diversas escolas, mas em outras ainda irá começar. Algumas já retornam de forma presencial, outras ainda aguardam a liberação de algumas turmas. Independente do modelo de ensino, esse início é fundamental pois cria a base para o resto do ano.

Escolhemos três atividades que podem ser feitas na primeira semana de aula, de forma presencial ou não, para interagir com a turma e empolgar todo mundo de maneira divertida.

Cápsula do tempo
O ano de 2020 foi cheio de acontecimentos que mudaram o rumo de muitas histórias e fez com que todos criássemos muitas esperanças para 2021. Que tal exercitar com os alunos a criatividade e deixar que eles anotem seus desejos, o que eles querem ter aprendido ao final do ano, seus sonhos e esperanças?

Anote tudo e guarde em um recipiente em lugar seguro, onde ninguém, além de você, poderá ter acesso. Você também pode fazer uma foto da turma, caso já esteja de modo presencial, ou um print da tela, caso ainda esteja de modo online. Ao final do ano vocês vão ver como todos mudaram e o que se realizou ou não.

Caixa de enigmas
Se você já quer começar o ano com tudo, que tal preparar uma revisão divertida? Esse é o intuito da caixa de enigmas. Separe conteúdos que você acha importante e construa perguntas que despertem a memória dos alunos. Você também pode introduzir novos assuntos nos enigmas, deixando a curiosidade no ar.

Livro de memórias
Essa é uma atividade para fazer em conjunto ao longo do ano. Proponha a escrita de um livro, onde cada página será escrita ao final de uma aula. Os alunos podem escolher o tema, inventar situações e diálogos que expressem acontecimentos reais ou não. Ao final do ano vocês terão uma grande obra.

O Ventos do Saber não fica parado. No dia 7 de dezembro acontece o lançamento da cartilha de orientação pedagógica “A Biblioteca Escolar Que Queremos“.

Nesta cartilha, os leitores poderão refletir sobre como a Biblioteca Escolar pode ser um espaço de vivências transformadoras e instigantes – através da combinação de um planejamento eficaz de serviços/produtos informacionais que pensam nos usuários e de ações que fomentam o despertar literário.

Para o lançamento, teremos um Webinar com a bibliotecária Laiana Sousa, que participou na produção e consultoria desse projeto.

Ela nos falou como foi o processo de construção da cartilha, confere aqui!

Ventos do Saber: Como foi o processo de construção da cartilha?

Laiana Sousa: Bem, a escrita desse livro foi um presente para mim, que inclusive me honra muitíssimo, porque o caminhar das ações realizadas na consultoria demonstraram a importância de se articular ideias e organizar o processo de trabalho realizado nas bibliotecas. Além disso, publicar, nesse momento histórico no Brasil, compartilhar um conhecimento, que eu diria que é maduro e sistematizado, é uma grande oportunidade para quem tá na lida cotidiana de uma biblioteca escolar.

Dessa forma, esse livro é uma parceria que nos honra muitíssimo entre o projeto Ventos do Saber e seus apoiadores, cujo princípio é de que toda criança pode e deve aprender, através do acesso ao livro, arte cultura, mas principalmente tornando-se protagonista do seu espaço, na escola que é a principal agência de letramento.

VS: De que forma ela vai ajudar educadores a conquistar a biblioteca escolar que queremos?

LS: Bem, existe uma grande ansiedade por fórmulas, na verdade uma ansiedade por acertar. E o que queremos com a cartilha é justamente evitar manuais fechados com listas de atividades, por isso optamos sempre por materiais abertos, que permitem incorporar as vivências e experiências que só o bibliotecário, professor ou profissional da educação, alunos e os processos educacionais poderão complementar. E que os leitores possam escolher, como, quando e em que circunstâncias usar o material disponível. Obviamente, isto não impede do livro está bem estruturado.

O bonito desse livro é essa costura que a gente faz das múltiplas dimensões do fazer profissional numa biblioteca. Seu papel é apoiar o processo educacional a partir de dois importantes processos: no incentivo à apreciação e ao gosto literário e no desenvolvimento de múltiplas habilidades informacionais.

O lançamento e o bate papo com a Laiana acontecem dia 7 de dezembro, às 14h, no YouTube da Invento Produções Culturais.

As tirinhas são um importante instrumento de ensino e aprendizagem, e isso nós sabemos bem? Mas será que nós entendemos porque elas são tão importantes? Nas últimas semanas o Ventos do Saber promoveu oficinas de tirinhas com os alunos das escolas beneficiadas em 2020. As oficinas foram ministradas pelo professor e artista visual Lui Duarte. Para entender mais sobre esse gênero e saber como ele pode ser desenvolvido e utilizado em sala de aula, fizemos uma entrevista com Lui. Confira logo abaixo!

-Sabemos que as tirinhas são bastante utilizadas como instrumento de aprendizado. Quais elementos tornam esse gênero tão especial, ao seu ver?

As tirinhas têm como característica a concisão. Uma mensagem curta e potente. Além disso, regularmente a tirinha buscar atrair o leitor apresentando um tema, desenvolvendo e ao final traz uma reversão de expectativa. Esse mecanismo cria um envolvimento simpático a esse tipo de linguagem. Pois quem lê gosta de ser surpreendido ao término da leitura rápida, esse sentimento ajuda a reter a informação. O “clic” que o nosso cérebro dá quando entendemos o significado de algo que, por vezes, não estava tão óbvio. Então se o próprio aluno é quem produz a tirinha seguindo o roteiro de apresentar, desenvolver e finalizar quebrando a expectativa… certamente a compreensão do aluno já se instaurou no fazer. Se a tirinha já vem pronta, proposta pelo educador/facilitador, temos a imagem pra quebrar o gelo em assuntos áridos (algumas vezes), trazendo elementos visuais que vão somar a um texto enxuto. Desta forma creio que o aproveitamento em sala de aula pode se dar nessas vias.

-Você acha que elas podem incentivar a leitura nos alunos?

Como coloquei na resposta anterior, acredito que sim. Por trazer assuntos tratados de maneira leve e bem humorada, a informação principal pode ser mais palatável. E assim motivar ao leitor a buscar mais sobre determinado assunto, pois quem mediar essas tirinhas pode apontar ganchos para aprofundar questões. Ao meu ver a tirinha pode deflagrar o interesse em discutir qualquer tema e de forma mais atraente.

-Qual os passos essenciais para que os alunos possam produzir suas próprias tirinhas?

O principal é entender sobre a lógica de apresentar, desenvolver e trazer um final envolvente. Que pode ter a clássica conclusão surpreendente (revertendo a expectativa) ou seguir num crescente de informações o raciocínio desenvolvido nas etapas. Isso posto, deve-se exercitar resumir o que se quer falar por palavras e equilibrar com o uso da imagem (desenho), para não ser redundante escrevendo exatamente o que é desenhado. E se optar por tirinhas sem palavras há de investir no desenho, pois a interpretação dependerá muito de como se ordena no tempo e espaço os elementos gráficos. Isso não quer dizer desenhos super elaborados, pois há muitos exemplos de “bonecos de palitinhos” que passam de forma efetiva as mensagens nas tirinhas. Como tudo na vida, treino.

-Que dica pode dar aos professores na hora de fazer uma curadoria de tirinhas a serem trabalhadas em sala?

Tirinhas rápidas com pouco texto atraem mais. Por outro lado, pode-se ter deixas em tirinhas com uma elaboração maior no que está dito e assim também criar abertura para o entendimento em sala de aula. Os assuntos nas tirinhas podem ser os mais diversos. Meu pensamento é que trazer personagens inusitados traga uma atenção ao assunto, assim como situações incomuns. Aliás, o equilíbrio de “lugares” conhecidos e novos “horizontes” são a boa medida para uma tirinha atraente. Pra nossa felicidade há um infindável número de artistas e tirinhas de maestria para vários temas. Quem não é familiarizado com a linguagem pode recorrer ao Google, procurar pelas “melhores tirinhas” e aí vai do interesse de cada um, buscando a atender a disciplina ministrada. Cartunistas que produziram tirinhas por muitos anos já devem ter falado de tudo um pouco, por isso a Mafalda do Quino é tão usada. Que tal Calvin e Haroldo do Bill Watterson? Níquel Náusea do Fernando Gonsales, as tirinhas da Laerte… bom, eu poderia passar o dia citando autores. Algum servirá ao propósito em sala de aula, divirta-se procurando! (ah, tem um livro teórico do Paulo Ramos sobre Tirinhas e vários outros sobre o uso dos Quadrinhos em sala de aula, um dos autores é o Waldomiro Vergueiro)

A 10ª edição do TIC – Festival Internacional de Teatro Infantil do Ceará, que acontecerá de 16 de novembro a 06 de dezembro em formato virtual, abre a programação com o seminário virtual Cultura, Arte e Educação com a presença de especialistas de renome nacional. Serão cinco webinars gratuitos transmitidos ao vivo, de 16 a 20 de novembro, às 14h, pelo canal da Invento Produções Culturais no Youtube. Para participar, basta realizar a inscrição no site www.festivaltic.com.br. O festival concederá certificado aos participantes.

O Teatro e a Escola

Destinada a educadores e artistas para orientá-los sobre o papel da arte e da cultura na formação das crianças, a série de webinars começa na segunda-feira, dia 16, com o tema “O Teatro e a Escola”, com uma das pesquisadoras pioneiras em Pedagogia do Teatro, Ingrid Dormien Koudela, doutora em Artes Cênicas e professora da USP. A palestrante abordará como a capacidade de representação dramática está presente tanto nos jogos de faz-de-conta, quanto em espetáculos de teatro representado por atores profissionais, assumindo diferentes formas que se desenvolvem através de um processo evolutivo e construtivo, da criança até o artista adulto.

Criança, natureza e cultura infantil

No dia seguinte, dia 17, a pesquisadora Lydia Hortélio vai ministrar o webinar “Criança, natureza, cultura infantil”. Com pesquisa em temas como “Cultura da Criança”, “Música Tradicional da Infância” e “Educação através da Cultura”, a palestrante conta que a Cultura Infantil é tecida na interação da criança consigo mesma, com as outras crianças e com o mundo. 

“A cultura infantil é única e una em cada gesto, e a criança, infante que é de sua espécie, necessita, como todas as outras, do espaço natural para exercer movimento próprio e inaugurar com vigor e alegria seus talentos infinitos. A natureza é o espaço primordial portador da vida, com suas múltiplas dimensões e desafios”, diz Lydia Hortélio, etnomusicóloga, educadora e pesquisadora de cultura infantil e música da infância.

Dançando na escola

Na quarta-feira, dia 18, Isabel Marques, coreógrafa, doutora em Educação (USP – 1996) e mestre em Dança (MA in Dance Studies, hoje Trinity Laban, 1989), abordará o tema “Dançando na escola”. No webinar, falará sobre a dança nas escolas em tempos e espaços inesperados e incertos, abordando a questão da pandemia da covid-19, as apresentações em telas e os corpos atravessados pela dança.

Arte para a primeira infância na educação

No dia 19, o webinar “Arte para a primeira infância na educação” será com Paulo Fochi, especialista em educação infantil. Ele tratará sobre quando bebês, crianças bem pequenas e crianças pequenas tem acesso às mais diversas formas de intervenção cultural, criam-se outros modos de subjetivação e, portanto, outros modos de estar no mundo. Paulo é doutor em educação e um dos redatores da Base Nacional Comum Curricular para a Educação Infantil (BNCC).

Relações étnico-raciais na educação

O Seminário Virtual Cultura, Arte e Educação encerra na sexta-feira, dia 20, Dia Nacional da Consciência Negra, com o tema “Relações étnico-raciais na educação”, que será ministrado pela pedagoga, mestra em Educação e especialista em questões de gênero e étnico-raciais, Clélia Rosa. Serão abordados diferentes aspectos da cultura, arte e educação relacionados às culturas africanas e afro-brasileiras e à ressignificação do papel do negro na construção da cultura e do Brasil, entendendo as crianças como produtoras de culturas, que criam seus códigos e ressignificam o que já existe. 

Live com adaptações de espetáculos teatrais para as telas

Após a semana de webinars, o TIC realizará no sábado (21/11) a sua segunda live com espetáculo de teatro de animação, contação de histórias, oficina de brinquedos reciclados e muita música. Além disso, vai lançar seis espetáculos teatrais adaptados para as telas, que marcaram a história do festival. Esses espetáculos serão exibidos no canal do Youtube da Invento Produções Culturais e ficarão disponíveis de 21 de novembro a 06 de dezembro. Os mesmos espetáculos também serão exibidos em sessões virtuais exclusivas para estudantes de escolas de Fortaleza, Caucaia, Morada Nova e Senador Pompeu, de 23 de novembro a 04 de dezembro, em transmissões com interação ao vivo dos personagens com os alunos. Toda a programação do festival contará com intérprete de Libras. 

Carbono zero

Nesta edição, o TIC abraça a bandeira em defesa do Meio Ambiente. O festival junto a consultoria Dialogus, especialista em Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Ceará, está calculando a emissão de CO² emitido pelo projeto e visa neutralizar esse impacto na natureza. Para isso, o TIC vai realizar plantações de mudas junto a organizações sociais, que cuidam do meio-ambiente aliado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Este ano, o evento será livre de carbono.

Apresentado pelo Ministério do Turismo, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, o 10º TIC é uma realização do Governo Federal, por meio do Ministério do Turismo/Secretaria Especial da Cultura e Invento Produções Culturais. Tem o patrocínio da Nerorubber, Sugar Shoes, Coopershoes e Votorantim. Apoio institucional: Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult) / Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Parceria: Ação Humanitária, Instituto Dragão do Mar/Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Promoção: D’Grau Produções e Instituto Seara. Agradecimento: Enel.

PALESTRANTES

Ingrid Dormien Koudela é uma das professoras pioneiras em Pedagogia do Teatro, sendo iniciadora de pesquisas com este enfoque na Universidade de São Paulo (USP). Pesquisadora Sênior, Ingrid é docente na pós-graduação da ECA/USP, com Bolsa de Produtividade de Pesquisa pelo CNPq, em nível 1ª, possui publicações, que incluem jogos teatrais, uma abordagem teórico-prática, realizada a partir das propostas de Viola Spolin, através do qual explora suas relações com Piaget e Vygotsky. 

A pesquisadora e palestrante Lydia Hortélio tem formação em Música (Piano, Educação Musical, Etnomusicologia), com estudos de pós-graduação no Brasil, Alemanha, Portugal e Suíça. Realiza pesquisa e documentação de Cultura da Criança, Música Tradicional da Infância, Cultura Popular e Educação através da Cultura. É autora dos livros “Uma experiência em Educação” e “O Presépio ou o Baile de Deus Menino” e dos CDs “Abra a Roda” e “tin dô lê lê”. Em 2009, recebeu o prêmio Honra ao Mérito Cultural, do Ministério da Cultura e em 2019 foi homenageada no projeto Ocupação, do Itaú Cultural.

Isabel Marques é formada em Pedagogia (1987) e doutora em Educação (1996) pela Universidade de São Paulo (USP). É mestre em Dança pelo Laban Centre (Atual Trinity Laban/ 1989). Atua e pesquisa nas áreas de dança, ensino de dança, interatividade, currículo, pedagogia crítica, formação docente. É autora dos livros “Linguagem da Dança: Arte e Ensino” (Digitexto, finalista Prêmio Jabuti 2011), “Interações: criança, dança, escola” (Blucher, indicação Prêmio Jabuti 2012), “Arte em Questões”, com Fábio Brazil (Cortez, 2a. Ed, finalista Prêmio Jabuti 2012). Em 1997, foi assessora do MEC na redação dos Parâmetros Curriculares Nacionais e da UNESCO, na gestão do Paulo Freire, entre 1991 e 1993, em documento para América Latina, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. 

Paulo Fochi é doutor em Educação na linha de Didática, Teorias de Ensino e Práticas Escolares (USP) com bolsa sanduíche (CAPES) na Universitad de Barcelona (UB). É mestre em Educação com linha de estudos sobre infância (UFRGS), especialista em Educação Infantil (Unisinos) e em Gestão e Organização de Escola (Unopar) e é licenciado em Pedagogia (Unopar). Paulo é membro da Associação Criança (Braga/Portugal) e Membro do Special Interest Group – SIG Birth to Three (European Early Childhood Education Research Association – EECERA). Coordena o Observatório da Cultura Infantil (OBECI) e foi um dos quatro consultores e redatores do documento da Base Nacional Comum Curricular para a Educação Infantil (MEC). 

A pedagoga e mestre em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Clélia Rosa, tem seu trabalho centrado na construção de metodologias de promoção da igualdade racial. É cocriadora do Nana Maternidade Preta e cocriadora do Coletivo Luderê Afro Lúdico. Tem experiência na área da Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: Educação Infantil, Culturas Infantis, Formação de Professoras e Professores, Relações Raciais e Metodologias de Promoção da Igualdade Racial.

PROGRAMAÇÃO

Webinars: De 16 a 20/11 às 14h.

Dia 16 – O teatro e a escola

Com Ingrid Koutela, doutora em Artes Cênicas, professora da USP e pesquisadora pioneira em Pedagogia do Teatro.

Dia 17 – Criança, natureza, cultura infantil

Com Lydia Hortelio, etnomusicóloga, educadora e pesquisadora de cultura infantil e música da infância.

Dia 18 – Dançando na escola

Com Isabel Marques, coreógrafa, pedagoga, mestra em Dança e doutora em Educação.

Dia 19 – Arte para a primeira infância na educação

Com Paulo Fochi, doutor em educação e um dos redatores da Base Nacional Comum Curricular para a Educação Infantil (BNCC)

Dia 20 – Relações étnico-raciais na educação

Com Clélia Rosa, pedagoga, mestra em Educação, especialista em questões de gênero e étnico-raciais.

SERVIÇO

10º TIC – Festival Internacional de Teatro Infantil do Ceará | Seminário virtual Cultura, Arte e Educação – De 16 a 20 de novembro, sempre às 14h, pelo canal da Invento produções Culturais no Youtube. Toda a programação é gratuita e contará com intérprete de Libras. 

Inscrições e mais informações: www.festivaltic.com.br.

Link: https://www.youtube.com/channel/UC0Ws3qcvDn5VbOB50Kcq-cg

O dia 5 de Novembro é lembrado como o Dia Nacional da Língua Portuguesa. A data foi instituída por meio da Lei nº 11.310, de 12 de junho de 2006 e foi escolhida como uma forma de homenagem ao escritor brasileiro Ruy Barbosa, que nasceu em 5 de novembro de 1849.

Ainda existem outras duas datas que comemoram a língua portuguesa, que são o Dia Internacional da Língua Portuguesa, em 5 de maio, que é celebrado pelos países de língua portuguesa, e o Dia da Língua Portuguesa, em 10 de junho, que faz uma homenagem a Luís de Camões.

Bem, a língua portuguesa é tão bonita e rica que merece mesmo não ter só um dia para ser comemorada. E em qualquer que seja a data, não podemos deixar passar em branco, não é? Por isso selecionamos algumas atividades para celebrar a nossa língua.

Construção e apresentação de poemas

Que tal propor aos alunos uma oficina de poemas? O gênero é um dos mais expressivos e que permitem o desenvolvimento da criatividade dos alunos, sem deixar de trabalhar a língua.

Você pode explorar sonetos, como os de Vinícius de Moraes, a poesia concreta, como os de Augusto de Campos e Décio Pignatari, ou até mesmo a poesia metalinguística, de Mário Quintana e Carlos Drummond de Andrade. Ao final, os alunos podem apresentar suas obras em um belo sarau.

Leitura de textos antigos

Nada melhor que saber da gênese da nossa língua para entender o caminho que ela percorreu até chegar ao modo como falamos hoje. Portanto, uma boa atividade é promover a leitura de textos antigos, buscando por palavras que já não se usam tanto e entender o que elas querem dizer em cada contexto.

Uma dica é explorar as páginas de jornais e revistas disponíveis na Biblioteca Nacional. Você pode pesquisar por edições do seu estado e, além de ver como a língua era usada, pode debater o contexto histórico. Que tal?

Escrita colaborativa

Cada um de nós tem uma forma de se expressar que varia de acordo com nossa idade, lugar onde nascemos, entre outros fatores. Podemos explorar alguns desses aspectos propondo uma oficina de escrita colaborativa. 

Os alunos podem escrever uma história juntos, onde cada um completa um a partir de onde o outro terminou. Determine um tempo para que cada um escreva o que quiser para desenrolar a história. Ao final, leiam juntos e vejam como cada um colaborou da sua forma.

No dia 12 de Outubro é comemorado o Dia das Crianças. Um dia para celebrar essa fase tão querida, que deve ser aproveitada com muita alegria. Mas você sabia que nessa data também é comemorado o Dia Nacional da Leitura?

É na infância que construímos muito dos hábitos que levamos para a vida adulta, e um deles é a leitura. Quanto mais cedo uma criança é incentivada à prática da leitura, mais benefícios ela vai ter como: aumento do vocabulário, formação do senso crítico e, claro, estímulo à criatividade.

Por isso, o hábito deve ser cultivado logo cedo. Mas, para isso, a crianças deve desenvolver uma relação positiva com os livros.

Portanto, torne o momento da leitura prazeroso. É comum que pais e até professores façam da leitura uma espécie de castigo. Quem nunca ouviu, quando criança, depois de fazer alguma bobeira na sala de aula, que deveria ir para biblioteca como forma de punição?

Isso desenvolve uma certa repulsa ao momento da leitura. Portanto, em casa, os pais devem estimular a leitura, principalmente vinculando esse momento a um lazer em família. Que tal combinar um passeio no parque e levar alguns livros? Para que os pequenos associem o hábito de forma mais rápida, ele deve lembrar momentos bons e felizes.

Na escola, a leitura não deve ser vista como uma atividade punitiva ou sem graça. Que tal desenvolver clubes de leitura, discutir temas atuais a partir dos livros, separar alguns minutos no final da aula para uma leitura livre de obrigações…?

É importante também, para pais e professores, escolher leituras que se adequem à cada idade. Cada fase tem suas limitações e elas devem ser respeitadas. Assim como os interesses. Tente sempre escolher e indicar livros que despertem a curiosidade nos pequenos. Além disso, varie os gêneros: assim a criança pode escolher por si o que mais lhe interessa.

Quando se fala em trabalhar o nordeste na literatura em sala de aula, logo pensamos na literatura de cordel. O gênero, que ficou consagrado nos poemas de Patativa do Assaré, é uma tradição literária típica da região e impressiona tanto pelos versos quanto pelas xilogravuras, tão características dessas obras.

Porém, mesmo com toda a sua relevância, podemos pensar em outros modos, e autores, para apresentar aos alunos quando formos falar da região. Listamos aqui alguns autores que falam do Nordeste em suas mais diferentes nuances e que são leituras essenciais. 

Jorge Amado

O escritor baiano é um dos nomes mais famosos da segunda geração do modernismo brasileiro. Com linguagem simples e regionalista, ele retrata bem os costumes, principalmente das classes 

Jorge Amado possui cerca de 45 obras publicadas, muitas delas premiadas e adaptadas para o cinema e a televisão, como Gabriela, Cravo e Canela, que se passa no interior da Bahia. Outro destaque é o livro Capitães de Areia, que conta a história de Pedro Bala, líder de um grupo de meninos marginalizados que aterrorizam a cidade de Salvador. 

Rachel de Queiroz

A cearense Rachel de Queiroz foi a primeira mulher a fazer parte da Academia Brasileira de Letras. Seu primeiro romance, “O Quinze”, é uma das obras mais importantes da literatura brasileira e retrata a grande seca de 1915 e a realidade dos retirantes nordestinos.

Memorial de Maria Moura é outra obra de destaque da autora, que inclusive já foi adaptada para a televisão. Conta a história de uma cangaceira que luta contra injustiças sociais.

José Lins do Rego

O autor paraibano é um dos principais nomes se você quiser entender um pouco sobre a formação do Nordeste brasileiro. Em seu livro Menino de Engenho, ele acompanha toda as fase do protagonista que vive em uma fazenda que se dedica à produção de açúcar. 

Já Fogo Morto, que é considerado por muitos a sua obra prima, narra o fim do ciclo da cana de açúcar e as consequências para a sociedade da época.

Clarice Lispector

A autora, que nasceu na Ucrânia, veio ainda bebê para o Brasil, vivendo boa parte da vida em Maceió, Recife e Rio de Janeiro. E foi por morar em cidades do Nordeste que colocamos a autora na lista, pois das características de suas obras é que Clarice ambienta as histórias em cidades onde viveu.

Um exemplo é o conto Felicidade Clandestina, que conta  história de uma menina recifense muito apaixonada por livros. Já em A Hora da Estrela, um dos seus livros mais famosos, apesar de ser ambientado no Rio de Janeiro, narra a história de Macabéa, uma migrante nordestina e nos mostra um pouco da vivência de tantos nordestinas que vão para o sul em busca de melhores oportunidades.